segunda-feira, 28 de abril de 2008

.durma, medo meu.

'Pára e bate o coração
Em pura disritmia
O medo amedronta o medo
Vela, madrugada, dia
Assim como a saudade
Ou uma frase perdida

Durma, medo meu
Durma, medo meu'

(O Teatro Mágico - Durma, Medo Meu)

domingo, 27 de abril de 2008

.a pedra mais alta.

'Me resolvi por subir na pedra mais alta, pra te enxergar sorrindo da pedra mais alta. Contemplar teu ar, teu movimento, teu canto. Olhos feito pérola, cabelo feito manto. Sereia bonita sentada na pedra mais alta. Tô pensando em me jogar de cima da pedra mais alta. Vou mergulhar, talvez bater cabeça no fundo. Vou dar braçadas, remar todos mares do mundo. O medo fica maior de cima da pedra mais alta. Sou tão pequenininho de cima da pedra mais alta. Me pareço conchinha ou será que conchinha acha que sou eu? Tudo fica confuso de cima da pedra mais alta. Quero deitar na tua escama, teu colo confessionário. De cima da pedra não se fala em horário. Bem sei da tua dificuldade na terra. Farei o possível pra morar contigo na pedra. Sereia bonita, descansa teus braços em mim. Não quero tua poesia, teu tesouro escondido. Deixa a onda levar todo esboço de idéia de fim. Defina comigo o traçado do nosso sentido. Quero teu sonho visível da pedra mais alta. Quero gotas pequenas molhando a pedra mais alta. Quero a música rara, o som doce, choroso da flauta. Quero você inteira e minha metade de volta'

(O Teatro Mágico - A Pedra Mais Alta)

sábado, 26 de abril de 2008

.sofremos por quê?.

'Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional.'

(Carlos Drumond de Andrade)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

.dona de mim.

'Tudo não dura mais que um segundo e eu calo o que me dói por dentro. Peço calma, exijo o silêncio que só eu escuto e, então compreendo que tudo vai passar, que tudo passa, tudo sempre passa. Refaço meus caminhos, relembro alguns momentos e pessoas e me sinto pequena por desejar mais do que a vida me presenteia. Percebo que pra ser grande o suficiente e fazer dos meus problemas, mínimos, não precisa muito, basta a vontade de fazê-lo. Aí é quando eu descubro que sou dona dos meus sentimentos, do meu corpo, coração, alma, de mim mesma. É quando, tão somente, consigo ficar bem comigo mesma e ver que posso decidir que rumo o meu coração vai tomar, por meio da razão, e acredite, ela é muito mais sábia que o coração!'

(Texto feito por mim, Paula Kyrillos)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

. cuida de mim .

'Pra falar verdade, às vezes minto. Tentando ser metade do inteiro que eu sinto. Pra dizer as vezes que as vezes não digo. Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo. Tanto faz não satisfaz o que preciso. Além do mais, quem busca nunca é indeciso. Eu busquei quem sou, você pra mim mostrou que eu não sou sozinho nesse mundo. Cuida de mim enquanto não esqueço de você. Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser. Cuida de mim enquanto não me esqueço de você. Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo. Basta as penas que eu mesmo sinto de mim. Junto todas, crio asas, viro querubim. Sou da cor do tom, sabor e som que quiser ouvir. Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir. Quero mais, quero a paz que me prometeu. Volto atrás, se voltar atrás, assim como eu. Busquei quem sou, você pra mim mostrou que eu não estou sozinho nesse mundo.'

(O Teatro Mágico - Cuida De Mim)